segunda-feira, 30 de setembro de 2013

HISTÓRIA - O Festival de Inverno de Sanfona e Viola de São Pedro do Itabapoana

Não basta o tombamento e restauração de um imóvel ou sítio histórico para a valorização do mesmo e afirmação da identidade e memória de um povo. Para que isso aconteça, este povo deve se apropriar desde patrimônio e deve enxergar ali a sua cultura.

Em São Pedro do Itabapoana, depois de um processo de restauração e revitalização realizado pela secretária de cultura e o prefeito de Mimoso do Sul, com o auxilio de um grupo de restauradores vindo de Ouro Preto, a cidade estava renovada fisicamente. No entanto ainda faltava uma relação cultural dos São Pedrenses com sua cidade, que esteve inerte por tantos anos.

Foi aí que surgiu a ideia de realizar um festival de sanfona e viola, a secretária elaborou um projeto e o levou até o prefeito, e este foi até Vitória e o apresentou ao secretário estadual de educação e cultura, Genildo Coelho Hautequestt Filho que abraçou a ideia. O Festival foi realizado e acrescentaram no nome a expressão “de inverno” como homenagem aos restauradores de Ouro Preto.

O Festival de Inverno de Sanfona e Viola de São Pedro do Itabapoana foi a forma de apropriação da sociedade para com seu patrimônio cultural, uma festividade que trouxe de volta hábitos de um passado que se perdeu no tempo, e hoje mantém a cidade viva.

Homenagem ao Festival de Sanfona e Viola - Fonte: Arquivo Pessoa, 2013.

Características Urbanísticas - Mapa Figura e Fundo / Evolução Urbana



Análise da Morfologia Urbana

São Pedro do Itabapoana,
um urbano simples e singular


”O patrimônio não é apenas a herança de um povo, ou seja, coisas “mortas no passado” (Sítios arqueológicos, arquitetura colonial, objetos antigos, etc.), mas são, também, bens culturais, visíveis e invisíveis.” Canclini (1994, p.95)
INTRODUÇÃO

São Pedro do Itabapoana cidade hoje pequena, escondida numa região alta e montanhosa, é muito conhecida pelo seu festival da Viola e por receber inúmeros cantores e compositores famosos para tal evento. Quem não conhece nem imagina que esta, um dia, já foi uma das mais importantes cidades do estado do espírito santo, por sua larga produção cafeeira. Sua “idade de ouro” como município é de 1890 a 1930.

Mesmo com muita importância pela produção cafeeira, São Pedro do Itabapoana era uma cidade muito isolada do restante dos distritos, tornando difícil o escoamento de qualquer produto agrícola produzido ali. Foi então, pouco tempo depois, iniciada a construção de inúmeras estradas de ferro na região. Trazendo posteriormente, grandes avanços para a cidade como energia elétrica, dentre outras tecnologias da época.

ANÁLISE
Atualmente, mesmo com todo progresso, o acesso à cidade é ruim, a sinalização até na cidade de Mimoso é precária, a região tem relevo inclinado e a estrada tem muitas curvas, se tornando um pouco perigoso. O acesso à cidade sem um mapa ou ao menos um conhecimento prévio da região, se torna difícil.

Em um impactante movimento revolucionário em 1930, o município foi 'invadido' e lhe foram tomados inúmeros documentos e a comarca foi levada para Mimoso do Sul. Com essa mudança política, alguns dos moradores São Pedro, ligados ao setor administrativo da antiga prefeitura aos poucos se transferem para Mimoso, e a cidade vai se tornando menos povoada.

Hoje em dia, São Pedro é uma cidadezinha pacata do interior do Espírito Santo, com pessoas simples e humildes, e suas casas tais quais seus donos. Os moradores conservam suas edificações como produtos raros. Infelizmente alguns antigos casarões que não foram conservados vieram a ruínas. Conforme conversado com alguns moradores, não há auxílio financeiro nenhum do governo para a conservação das edificações, são os próprios proprietários que mantêm e conservam o patrimônio. Ocorre o processo de tombamento normalmente, mas não se tomam providências para a preservação do imóvel. Recentemente foi realizado um projeto para pintura das casas, da empresa Coral tintas, claro, com o aval do morador. Nem todos aderiram à pintura de suas casas, mas foi uma mudança bem impactante, já que as moradias eram todas coloridas.


Maior parte dos imóveis tombados estão na entrada da cidade, com a conservação do antigo calçamento conhecido como pé de moleque, e também na região alta da cidade. Pode-se considerar mais 'nova' a região mais baixa da cidade, construída com alvenaria convencional. Não há uma diferença exorbitante entre os imóveis antigos e 'novos', o que torna a cidade mais harmônica, se posso assim dizer. O calçamento da área mais nova é feita com bloquetes retangulares, sendo pouco menos trepidante e mais uniforme, diferente da pavimentação do início da cidade.
As ruas são relativamente largas, as principais possibilitam a passagem de dois carros, outras e alguns casos, são bem estreitas, sendo possível somente a passagem de um carro. A região é muito calma e bem ruralizada atualmente, não houve muitos avanços quanto a tipologias arquitetônicas. Boa parte das casas, como quase toda casa do interior tem um quintal grande, na frente (em poucos casos) ou atrás.

A cidade é pouco densa, apesar das casas quase nunca terem afastamento lateral, os fundos quase sempre não ocupados por edificações. As quadras são bem grandes, largas, e pouquíssimo ocupadas.

Das edificações, em sua maioria são casas, pouquíssimos comércios, daquele estilo 'vendinha do seu Zé', que é um cômodo da casa ou um 'puxadinho'. Os moradores quase sempre sentados na porta de casa, vendo o tempo passar ou conversando com o vizinho.



Tendo-se em mente que a cidade já teve grande importância econômica, hoje, ela está esquecida no tempo. Os moradores sobrevivem com o que ganham da ainda produção cafeeira, só que agora em pequena escala. Tudo muito singelo e doce, por assim dizer. A característica marcante do lugar é a beleza da simplicidade. Vive-se de forma bem simples, fala-se de forma simples, talvez um pouco erroneamente, o que não tira em nada a beleza do 'papo gostoso' porta a porta, é simplesmente precioso ter conhecido esse pedacinho um pouco esquecido da nossa cultura.

Iconografia Histórica e Atualizada - Transformações na paisagem.

Confira as imagens que temos de São Pedro do Itabapoana. 

Algumas nós registramos em nossa visita, e outras são imagens antigas que nos ajudam a perceber as transformações através do tempo.